Como entrar no mercado de trabalho angolano: desafios, e estratégias e oportunidades?

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O acesso ao mercado de trabalho em Angola continua a ser um desafio relevante, especialmente para jovens e novos profissionais...

O presente artigo tem como objectivo orientar jovens, recém- formados e profissionais que pretendem mudar de carreira  e não só a entrarem no mercado de trabalho angolano descrevendo um panorama actualizado e prático, embasado em dados oficiais e fontes institucionais como o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP). Para entrada no mercado de trabalho exige uma combinação de preparação (formação e treinamento), networking (relacionamento inter- intrapessoal) e adaptação ao contexto local (mudanças actuais). Mas precisamos compreender o conceito de mercado.

 

O que mercado de trabalho?

 

O mercado de trabalho deve ser compreendido “como um espaço de negociação e de troca, onde, de um lado, temos alguém oferecendo seu talento e capacidade, com necessidades a serem satisfeitas, e, de outro, uma organização que necessita desse talento e capacidade e que está disposta a oferecer as condições para a satisfação das necessidades e expectativas das pessoas.” (Dutra, Dutra & Dutra, 2017, p. 61) Neste sentido, o mercado de trabalho abrange uma relação de compra (empresa) e venda (Trabalhador), que gera lucro ou prejuízo. 

 

Panorama actual do mercado de trabalho em angola

 

Dados do INE: No IV trimestre de 2024, o Inquérito ao Emprego em Angola (IEA) apontou que cerca de 12,58 milhões de pessoas estavam empregadas, das quais aproximadamente 10,02 milhões (74,4%) mantinham empregos informais, enquanto apenas 2,56 milhões (14%) tinham empregos formais). No III trimestre de 2024, o número de pessoas empregadas foi estimado em 12.315.283, representando uma taxa de emprego de 62%, enquanto a população economicamente activa (PEA) superava os 17,8 milhões.

 

Vantagens da formalização

 

O emprego formal garante maior estabilidade, acesso a benefícios sociais e direitos trabalhistas, enquanto a economia informal mantém os trabalhadores sem essas garantias, um cenário crítico em que cerca de 55 em cada 100 pessoas em idade activa estão desempregadas ou em informalidade.

O PAPEL DOS CENTROS DE EMPREGO (INEFOP / MAPTSS): Em 2023, os centros de emprego do INEFOP registraram 173.461 candidaturas, o que representa um aumento de 43% em relação ao ano anterior, resultando em 112.707 colocados no mercado formal. Apesar deste avanço, os centros colocaram em média apenas 34 pessoas por dia durante o primeiro semestre de 2024, o que equivale a 6.179 colocações em seis meses. Isso representa somente 13% do total de colocações registradas por empresas. A maioria das contratações — cerca de 86% — são feitas directamente pélas empresas, sem passar pêlos centros de emprego. Em resposta a essas limitações, o governo lançou o programa PREMCSE (Programa de Requalificação, Expansão e Modernização dos Centros e Serviços de Emprego), cujo objectivo é modernizar os centros, criar plataformas digitais para gestão de candidatos, cvs e ofertas de emprego, e melhorar a interligação entre centros, universidades e centros de formação.

 

 Abaixo estão algumas dicas práticas para ajudar-te a dar os primeiros passos:

 

1. Conheça o mercado angolano

Antes de tudo, é essencial entender o contexto do mercado de trabalho em Angola:

  1. Principais sectores/ ramos  em crescimento:
  2. Empresas-chave: Multinacionais, empresas públicas e PME's locais
  3. Desafios comuns: Informalidade, desemprego jovem, exigência de experiência
  • Petróleo e gás
  • Construção civil
  • Agricultura
  • Tecnologias da Informação
  • Comércio e serviços
  • Energias renováveis

 

2. Investe na formação profissional

  1. Ensino técnico e universitário: Ter um diploma é valorizado, mas formação técnica profissional muitas vezes dá acesso mais rápido ao mercado.
  2. Pesquisa sobre área de actuação/ profissão: aqui, você deve saber quais são as exigências do cargo/ profissão no mercado de trabalho “Angola”, converse com profissionais mais experientes na área e consulte o Manual de classificação das profissões de Angola Revisão 1 (CPA- REV.1)
  3. Centros de formação profissional: Ter conhecimento dos centros de formação de referência é uma vantagens competitiva, aqui você deve pesquisar os centros de referencia a nível do país de acordo o teu bolso.
  4. Cursos de curta duração / certificados: Excel, contabilidade, programão web, redes de computadores, pastelaria, electricidade, marketing digital, inglês, etc.
  5. Domina ferramentas digitais: Informática na óptica do utilizador, pacote office (Word, Excel, PowerPoint), PowerBi, redes sociais profissionais como Linkedin.

 

3. Constrói uma rede de contactos (networking)

  • Participa em eventos, feiras de emprego e conferências
  • Junta-te a grupos de jovens profissionais no WhatsApp, Facebook ou telegram
  • Liga-te a recrutadores no Linkedin
  • Pede recomendações a professores, amigos e familiares
  • Leia livros de desenvolvimento pessoal, liderança, psicologias, etcs.
  • Cuida  da tua aparência

 

4. Prepara um bom cv e carta de apresentação

  • Simples, directo e adaptado à vaga (não existe um único CV para várias vagas)
  • Destaque as tuas competências práticas e experiências, mesmo voluntárias
  • Usa modelos modernos (actualizado)

 

5. Procura emprego nos locais certos

5.1. Instituições, sites e plataformas comuns em Angola:

  • Centro de Emprego
  • Jornais
  • Recrutalento
  • Consultoria de recrutamento
  • angoemprego
  • Jobartis
  • Emprego.co.ao
  • Linkedin.com
  • Páginas de empresas e ongs (Ex: Total, Sonangol, Chevron, UNITEL, etc.)
  • Grupos de Facebook/WhatsApp de ofertas de emprego

 

6. Começa com Estágio 

6.1. Voluntariado:

  • Muitos profissionais em Angola começaram como estagiários
  • Procura programas de estágio em empresas privadas, ongs e instituições públicas
  • O voluntariado também conta como experiência

6.2.  Estágio profissionais e formativos 

  • Procura centros de referência para fazer estágio formativo
  • Envia carta e visita empresas solicitado estágio profissionais

 7. Prepara-te para Entrevistas

  • Treina respostas para perguntas comuns
  • Demonstra vontade de aprender e adaptar-te
  • Conhece bem a empresa antes da entrevista

8. Atenção aos Golpes de Emprego

  • Nunca pague para conseguir emprego
  • Desconfie de ofertas "fáceis" ou muito vagas
  • Verifique se a empresa é legítima

 

Nota importante: 

  • Participa em concursos públicos para estágios profissionais
  • Cria um pequeno negócio ou projecto para mostrar iniciativa
  • Junta-te a grupos juvenis, associações ou iniciativas comunitárias
  • Mobilidade geográfica para outras províncias a nível do país.

 

Conclusão

Angola enfrenta desafios estruturais no mercado de trabalho, com um elevado nível de informalidade e limitações no uso efectivo dos centros de emprego. No entanto, com orientação adequada, formação técnica, proatividade e uso estratégico das iniciativas em curso (como o PREMCSE), é possível entrar para o mercado de trabalho.

 

Referências Bibliográficas

  • Instituto Nacional de Estatística (INE). Inquérito ao Emprego em Angola (IEA), IV Trimestre 2024 (andine.ine.gov.aoExpansãoValor Económico).
  • Instituto Nacional de Estatística (INE). Inquérito ao Emprego em Angola (IEA), III Trimestre 2024 (cartadeangola.com).
  • INEFOP / Centro de Emprego do MAPTSS. Dados de candidaturas e colocações em 2023 (Notícias ao MinutoVer Angola).
  • Expansão / INEFOP. Desempenho dos Centros de Emprego no primeiro semestre de 2024 e programa PREMCSE (ExpansãoExpansão).
  • MAPTSS. Programa de Requalificação, Expansão e Modernização dos Centros e Serviços de Emprego (PREMCSE) (ExpansãoExpansão).
  • CPA REV.1 (Centro de Emprego) – Documento interno/arquivo institucional (referência genérica, consulta disponível nos centros do MAPTSS).
  • Dutra, J. S.; Dutra, T. A. & Dutra, G. A. (2017). Gestão de Pessoas: Realidade Actual e Desafios Futuros. São Paulo: Atlas.
  • Journal of Profess. Bus. Review; São Paulo V.5 N.1 2020, pp. 28-42, Jan/Jun.2020.

 

Escrito por: Edson Simão Morais

Formador, Especialista em RH e Psicólogo do trabalho.

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